A psicoterapia é um ato de coragem, e nem sempre é confortável. É exatamente o processo de encarar e expor as feridas para poder curá-las. Pode ser bastante desconfortável, dá trabalho, exige a vontade extrema de encontrar um caminho em meio aos espinhos.
O Dropout acontece quando o cliente se desliga cedo, dizendo que “está ótimo(a)”, e mesmo com todo o nosso acolhimento, muitas vezes é a resistência gritando alto.
Sentimentos desagradáveis podem aflorar, como medo, vergonha da exposição de uma parte de nós que nunca encaramos, quem dirá falar sobre… mostrar?
O medo da mudança pode ser forte, tanto da trajetória quanto do desconhecido resultado de ser ”outra” pessoa, responsável pelas próprias escolhas e coerente com a vida que deseja ter, com a pessoa que se quer ser. Estes sentimentos podem ir além do que se pode suportar no momento.
Será genuína esta decisão de entrar neste processo neste momento?
Algumas vezes a procura pela psicoterapia não acontece por vontade própria, mas pela pressão sentida, na tentativa de mostrar sua disposição às mudanças que agradariam outras pessoas do seu convívio.
Então ouvimos um “estou ótimo/a”, “foi muito importante e só tenho a agradecer”. Paramos então e pensamos: O que eu poderia ter feito diferente? Imagino que só o tempo, muita reflexão e a experiência possam trazer esta resposta.
Para nós, psicólogos, fica a tristeza e a dúvida. Mas é crucial lembrar: a autonomia do paciente é o limite do nosso cuidado. O nosso trabalho é oferecer a segurança, mas a escolha de trilhar o caminho é sempre do outro.
É este o momento, em que nós psicólogos nos deparamos com o LUTO desta perda, e precisamos trabalhar as nossas questões para elaborá-lo e ressignificá-lo com o mesmo carinho e atenção que dedicamos aos nossos clientes.
#PsicoterapiaNãoÉConforto #ResistênciaNaTerapia #CuidadoComACura #SaúdeMental #AutonomiaDoPaciente #VidaDePsicólogo #LutoTerapêutico






